O mercado brasileiro de entrega de comida vive um novo capítulo de tensão regulatória. Documentos enviados ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) revelam estratégias agressivas da 99Food para consolidar sua base de parceiros, incluindo propostas financeiras de até R$ 300 mil destinadas a restaurantes para que estes não operem em plataformas concorrentes, como Rappi e a recém-chegada Keeta.

Impacto no setor: Enquanto o órgão regulador analisa o caso, o cenário destaca a "guerra de subsídios" que retornou com força ao Brasil. Para os restaurantes, o capital imediato pode parecer atraente, mas especialistas alertam para o risco de dependência excessiva de um único canal de vendas e a possível redução de margens no futuro devido à falta de concorrência.

O que dizem as autoridades: O Cade já abriu um inquérito administrativo para apurar se essas condutas configuram abuso de poder econômico. O foco da investigação é entender se o uso de incentivos financeiros para garantir a exclusividade impede o crescimento de novos players e prejudica a sustentabilidade do ecossistema de delivery no longo prazo. Em sua defesa, a 99Food afirma que suas operações seguem os princípios éticos e que as cláusulas contratuais visam apenas garantir um ambiente dinâmico e equilibrado para seus parceiros.

O contra-ataque das concorrentes A Keeta, braço internacional da gigante chinesa Meituan, tem sido uma das vozes mais ativas contra essa prática. A empresa argumenta que tais cláusulas de exclusividade distorcem a livre concorrência e limitam o poder de escolha do consumidor final. Para o Rappi, essas táticas replicam comportamentos que já foram alvo de sanções e acordos com o Cade no passado, em disputas que envolveram outros líderes do setor.

A estratégia de "Blindagem" Segundo a denúncia, os contratos oferecidos pela 99Food não se limitam apenas a taxas competitivas, mas incluem bônus em dinheiro que funcionariam como uma trava de mercado. Ao aceitar o montante, o estabelecimento se comprometeria a não disponibilizar seu cardápio nos aplicativos rivais. Caso a regra seja descumprida, o restaurante estaria sujeito ao banimento imediato da plataforma da 99.

O mercado brasileiro de entrega de comida vive um novo capítulo de tensão regulatória. Documentos enviados ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) revelam estratégias agressivas da 99Food para consolidar sua base de parceiros, incluindo propostas financeiras de até R$ 300 mil destinadas a restaurantes para que estes não operem em plataformas concorrentes, como Rappi e a recém-chegada Keeta.